Tenho observado em várias comunidades do Orkut até onde pode chegar a falta de informação alimentada pelo senso comum.
Muitos são os que falam sem ter qualquer conhecimento de causa sobre o que estão falando. Os caminhos da informação bem fundamentada, quando pertinente, não são tão difíceis assim. No máximo, dão um pouquinho de trabalho. Mas parece que acomodar-se em achismos cansa menos e rende muito mais assunto.
Falam sem saber das condições que norteiam os votos de castidade, pobreza e obediência. Sem saber a diferença entre Diocese e Congregação. Sem a mínima idéia do que a Igreja pensa, cobra e dá. Sem sequer tentar saber. Apenas consideram que padre que é padre, tem que ser ostensivamente desprovido de bens, vaidades e vontades. Tornando-se um depositário das fantasias medievais que os revestem em áuras angelicais de santidades perfeitas.
Há muito tempo ascetismo e privação deixaram de ser sinônimo de santidade e religiosidade. Hoje, sabemos que muito mais importa o que fica por dentro do que o que passa por fora de nós.
Posso estar enganada (e se alguém souber de algo que me desminta, por favor, me corrija) mas creio que qualquer um, incluindo-me nessa, que seja um profissional de grande sucesso, competente, bem-sucedido, como ele o é (e isto é fato), podendo estabelecer uma qualidade de vida um pouco melhor, para si, para sua família e, quiçá, para muitos outros, não o fará para provar para Deus suas boas intenções? E aí viveria em uma palafita, vestindo-se de trapos, alimentando-se de restos, e andando de jegue? ou nem isso, já que bicho dá despesa?
Não creio que Deus queira isso como prova de amor. Bem como também não acredito que Deus se alegre com a vida de quem assim foi colocado a viver por seus calvários humanos. E se, por acaso, alguém assim viver por opção, que não seja para exibir sua santidade e bondade nos altares da vida. O clichê aqui bem cabe: de boas intenções o inferno está cheio.
Presbíteros são homens escolhidos, mas são homens e sempre o serão. Homens têm suas misérias e riquezas estejam eles onde estiverem na escala social.
Fábio José de Melo Silva É padre. Quem o conhece um pouco sabe perfeitamente que isso é condição primeira e fundamental de tudo o que ele faz, de tudo o que fala, pensa, sente e proclama. O evangelho é e sempre será seu princípio, seu meio e seu fim. O resto, é consequencia.
Seu jeito humano de ser em momento algum dissocia-se de seu sacerdócio. Mas parece que suas misérias, as quais espreitamos entre as frestas que sua autenticidade deixa perceber, são mais importantes que as riquezas que temos recebido de suas mãos. Ele tem sido luz em muitas vidas, que vozes com intenções duvidosas insistem em querer transformar em trevas.
Pessoalmente, não vejo problemas quanto ao jeito que ele vive sua vida, que somente a Deus cabe julgar. Ademais, prefiro cuidar da minha, com as direções que encontro no que Jesus me fala através dele.
Aliás, creio que é por esse motivo que Jesus o escolheu e colocou onde está, para que possamos aprender a cuidar um pouco melhor da nossa vida...
A paz...
Carla Balthazar