domingo, 11 de janeiro de 2009

Matéria da Revista Isto É

Padre, popstar e conteúdo
Com uma bela estampa, discurso consistente e carisma de sobra, Fábio de Melo conquista fiéis (e fãs)

Renata Cabral
Revista Isto É
14/01/2009


De tão bonito ele pode ser confundido com um galã de novela. Este é o primeiro atributo que faz com que Fábio de Melo provoque comoção por onde passa. O segundo é que ele é um cantor popular. E o terceiro: é um padre com um discurso consistente e fundamentado, diferente da maioria dos seus colegas de cantoria religiosa. Tudo junto resulta em muito sucesso, impulsionado por fãs e pelo rebanho católico, que se misturam numa mesma massa sedenta por suas palavras e canções. Mineiro de Formiga, o padre-cantor, 37 anos, está prestes a superar a marca de 600 mil cópias vendidas com seu último álbum, Vida, lançado há quatro meses por uma parceria entre as gravadoras LGK Music e Som Livre. Na semana passada, ele fez dois shows para a gravação do DVD Eu e o tempo, no tradicional Canecão carioca, com lotação esgotada. A julgar pelo semblante extasiado dos presentes, ao final, Deus deve ter ouvido muitos agradecimentos.

A multidão que padre Fábio está se acostumando a ver em seus shows não se repete nas igrejas, mas o motivo é simples: ele só celebra missas em pequenos templos da pastoral universitária da diocese de Taubaté, no interior de São Paulo, da qual é responsável. Mas o religioso não se resume a um belo rosto e uma bonita voz. Ele é graduado em teologia na Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) e em filosofia (pela Fundação Educacional de Brusque, em Santa Catarina). É pós-graduado em educação na Universidade Salgado de Oliveira, no Rio, e mestre em teologia sistemática pelo Instituto Santo Inácio de Loyola, de Belo Horizonte (MG). Tanto investimento nos estudos já resultou em cinco livros. “Eu sabia que para ser comunicador tinha de ter conteúdo. O que fiz primeiro foi estudar. Sou professor de teologia e digo isso sem nenhuma vaidade, isso é responsabilidade”, afirma. “Dentre as várias expressões da música católica, o padre Fábio se destaca porque lança um olhar particular sobre a teologia, passando a mensagem de um Deus mais humano. Sua formação acadêmica, aliada à sensibilidade artística, distingue seu trabalho”, diz o padre Gleuson Gomes, da paróquia de Sangue de Cristo, no Rio.

O sacerdote diz que a música é sua forma de evangelizar e conquistar fiéis, tal e qual padre Marcelo Rossi, expoente máximo de sucesso católico no Brasil, com quem é comparado, assim como com o cantor Fábio Jr. “Não me importo com as comparações, admiro o trabalho dos dois”, diz o sacerdote, que, ao contrário de Marcelo Rossi, não usa vestes sacerdotais nos shows.

O frisson causado entre as mulheres é um problema para o padre, que rejeita o título de galã. “Incomoda ser reduzido a isso. Por outro lado, não tenho como fugir, por enquanto.” Padre Fábio entrou para o seminário aos 16 anos, foi ordenado aos 31 e não nega os namoricos da época de escola. Mas jura que o assédio, hoje, acontece muito mais no mundo virtual (por meio de blogs e comunidades de fãs). “Se eu fiz a opção por viver uma vida de castidade, e tenho alguns atributos que dificultam essa escolha, tenho de ter responsabilidade ainda maior”, reflete.

Após dez CDs lançados, a parceria com uma gravadora fora do segmento religioso representou um salto nas vendas. Líber Gadelha, presidente da LGK Music – onde padre Fábio é hoje o artista campeão de vendas –, arrisca uma justificativa. “Bíblia por si só não vende disco. O sucesso vem do pacote: carisma, bela voz e uma produção caprichada.” Para o professor de teologia da PUC de São Paulo, Fernando Altemeyer, arte e religião nunca foram incompatíveis, mas “a exposição midiática pode levar à captura apenas do símbolo que transmite a mensagem e fazer com que o conteúdo desapareça.” A estudante Beatriz Rodrigues, 17 anos, que saiu de Barretos, São Paulo, para assistir a um show no Rio, jura que foca o conteúdo: “Ele é bonito. E muito. Isso ajuda, mas o que mais me atrai são as mensagens que passa.” O padre confirma a tese. “Às vezes, tem uma multidão eufórica cantando, mas quando começo a falar, se faz um silêncio absoluto. Existe um respeito muito grande”, afirma.




Fonte: Isto É

Matéria da Revista Veja em 1999

Confira aqui matéria publicada na Revista Veja em 10/11/1999, que já chamava a atenção para os grandiosos números da música cristã. A revista já citava o, na época, seminarista Fábio de Melo como uma das grandes promessas da música católica.


O reino dos padres pop
Revista Veja 10/11/1999


Padre Zezinho
Discos lançados:
98
Quanto vendeu: 10 milhões de cópias
Foi o Marcelo Rossi dos anos 60 e 70. Ordenado padre em 1966, no ano seguinte já pregava em ritmo de música. Tem mais de 280 obras lançadas, entre discos e livros religiosos. Seu programa de rádio é transmitido em mais de cinqüenta emissoras, entre elas a América (a mesma do padre Marcelo). O maior sucesso do padre Zezinho é Oração da Família. Somente depois de muitos anos permitiu a Roberto Carlos fazer uma releitura da canção. Seus últimos lançamentos foram o CD-ROM Cantando a Fé e uma página especial na internet. O endereço é http://www.padrezezinho-scj.org.br/


Padre Zeca
Disco lançado:
1
Quanto vendeu: 150 000 cópias
É a versão carioca e surfista do padre Marcelo. Seu álbum Deus É Dez foi gravado ao vivo na Praia de Ipanema e lançado no início deste ano. Bonito e comunicativo, ele ainda não goza da mesma fama que o religioso paulistano. A próxima investida do padre Zeca no mundo da música será realizada em 14 de novembro nas areias de Ipanema, com o lançamento do álbum Digo Sim a Deus.


Bispo Marcelo Crivella
Discos lançados:
11
Quanto vendeu: 2 milhões de cópias
A grande esperança musical da Igreja Universal é sobrinho e braço direito de Edir Macedo. Crivella lançou Mensageiro da Solidariedade pela gravadora Sony Music, a maior rival da Universal Music (que detém o passe de Marcelo Rossi) pela hegemonia do mercado fonográfico. Antes do megacontrato com a Sony Music, o bispo lançava seus discos pela gravadora Line Records, de propriedade da Universal. A expectativa é de que Mensageiro da Solidariedade venda 3 milhões de cópias.


Padre Antônio Maria
Discos lançados:
12
Quanto vendeu: 800 000 cópias
Sacerdote há 22 anos, Antônio Maria lançou no início deste ano o álbum A Festa da Fé. O disco foi gravado ao vivo no ginásio da Portuguesa de Desportos e contou com a participação de Roberto Carlos. O cantor participou das músicas Jesus Cristo e Cura, Senhor. Antônio Maria é um ferrenho defensor da facção pop da Igreja. "O jovem precisa saber que a religião é legal", prega. Sua próxima investida será no mundo do rap, ritmo predileto dos rebeldes sem causa. Ele acaba de compor O Rap do Samaritano, que entrará em seu próximo disco.


Irmã Inez
Disco lançado:
1
Quanto vendeu: 10 000 cópias
Freira da Comunidade da Copiosa Redenção, ela mora em Ponta Grossa, no Paraná. Seu trabalho é voltado para a recuperação de adolescentes viciados em drogas. Como notou que o rap é apreciado pelos garotos de rua, compôs e gravou O Rap da Copiosa, contra as drogas. A obra da freira ainda inclui rock e reggae. Ela costuma fazer shows pelo interior do Paraná. Detalhe: as vocalistas e os instrumentistas de sua banda são, na maioria das vezes, ex-drogados recuperados na Copiosa Redenção.


Frei Fábio de Melo
Discos lançados:
2
Quanto vendeu: 90 000 cópias
Boa-pinta e carismático, pode ser o padre Marcelo do futuro. Seminarista da Congregação Sagrado Coração de Jesus, seu disco de estréia ultrapassou a marca de 40 000 cópias vendidas. Frei Fábio assina a maioria das músicas de seus álbuns. Uma curiosidade: o último lançamento do religioso traz uma música em dialeto africano. Chama-se O Mfumu Baka Mono e é baseada em uma oração de São Francisco.



sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Celina Borges brilha na gravação de padre Fábio


Cantora mineira, conhecida pelo público seguidor do movimento católico intitulado Renovação Carismática, Celina Borges brilhou na gravação do DVD de padre Fábio de Melo, Eu e o Tempo, realizada na noite de terça-feira, 6 de janeiro de 2008, em show no Canecão, no Rio de Janeiro (RJ). Com sete CDs em sua discografia, Celina foi chamada ao palco por Fábio para fazer dueto em Tudo Posso. Com voz volumosa, no estilo exuberante das cantoras norte-americanas de gospel, a intérprete arrancou entusiásticos aplausos da platéia católica que seguiu (com fervor) a missa-show.

Mauro Ferreira
Rio, 07/01/2009

Matéria do jornalista Mauro Ferreira


Resenha de Show
Gravação de CD e DVD
Título: Eu e o Tempo
Artista: Fábio de Melo (em foto de Mauro Ferreira)
Data: 6 de janeiro de 2009
Local: Canecão (RJ)
Cotação: * * *


"Errou! Errou!", acusou o público com fervor religioso tão logo padre Fábio de Melo acabou de apresentar Contrários, uma das músicas incluídas na gravação ao vivo do CD e DVD Eu e o Tempo, realizada em show num superlotado Canecão (RJ) na noite de terça-feira, 6 de janeiro de 2009. Não, o padre não tinha errado. Não daquela vez. E a platéia sabia disso. Era apenas uma tentativa graciosa de fazer ele repetir o número. A cena dá bem a medida da adoração que o público católico devota ao padre-cantor, novo fenômeno do mercado fonográfico. O registro ao vivo foi arquitetado pela gravadora LGK Music no embalo das 540 mil cópias vendidas em 2008 de Vida, o 11º CD de Fábio, campeão de um mercado que amarga lucros descendentes. Foi por isso que, na noite de terça-feira, a indústria - da fé e do disco - funcionou a todo vapor. No palco-púlpito do Canecão, um líder carismástico (no duplo sentido) fez sua missa-show diante de fiéis que o adoram para gerar CD e DVD. Um registro feito no tempo litúrgico e no tempo da máquina fonográfica, com as devidas interrupções para repetições de músicas e para ajustes na imagem do padre popstar. E, como todo popstar, o padre já sabe como é importante afagar o ego do público fiel. Faz parte do show, o da fé.

Dirigido e roteirizado por Túlio Feliciano, nome recorrente na condução de shows de samba, o espetáculo de Fábio de Melo foi estruturado em cinco tempos litúrgicos (Pentecostes, Advento, Epifania, Quaresma e Páscoa). A cada mudança do tempo, um relógio era deslocado no fundo do cenário, de uma extremidade à outra do palco, para marcar a passagem. Poemas, relatos e textos filosóficos - sobre o amor, a amizade, Jesus e Deus - entrecortaram repertório que embaralhou cânticos religiosos com músicas conhecidas nas vozes de cantores profanos como Fábio Jr. - de quem o padre-xará reviveu Vida e Pai. Aliás, Pai teria rendido mais se seu arranjo fosse tão econômico quanto o de O Caderno, a sensível canção infanto-juvenil de Toquinho, entoada pelo padre apenas na companhia da guitarra de Ary Piassarolo e dos teclados de Maurício Piassarolo, pai e filho (o primeiro em participação especial) - como ressaltou Fábio, antes de convocar Ary ao palco.

Ágil na primeira metade do show, transcorrida sem erros, a gravação se tornou arrastada do meio para o fim com sucessivas repetições que evidenciaram ligeira falta de sintonia entre artista, músicos e equipe técnica. Ao todo, foram três horas de show. Ou de pregação, dependendo do ponto de vista. Alguns números, como Tudo É do Pai, foram acompanhados em catártico coro popular. Há os cânticos católicos que fazem jus à tanta adoração pelo bonito desenho melódico - em especial, Humano Amor de Deus. Outros se sustentam mais nas mensagens de fé, amor e perserverança. Entre hits religiosos e bissextas novidades em seu repertório, como Arvoreando e Cântico das Criaturas, padre Fábio soube conduzir sua missa-show com inegável carisma e voz agradável que, como ele mesmo avisou, não estava em sua melhor forma na noite da gravação do CD e DVD Eu e o Tempo. Cantor, compositor, escritor e professor universitário (pós-graduado em teologia), além de padre desde 2001, Fábio de Melo parece ter aquele algo mais que distingue as estrelas. Deve ser por isso que, para os fiéis, o tempo pára na presença do novo popstar católico...

Mauro Ferreira
Rio, 07/01/2009

Fonte: Blog Notas Musicais


terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Matéria do Caderno D do Jornal O Dia

O maior sucesso da paróquia

Júlio Biar



Padre Marcelo Rossi não é mais a única estrela católica sob a luz da ribalta. Depois de vender um milhão e 200 mil cópias de 11 CDs - 500 mil somente de "Vida", o mais recente deles, lançado há apneas três meses - o mineiro Fábio de Melo sobe ao palco do Canecão para gravra seu primeiro DVD amanhã e quarta-feira, ás 20h30.

O novo astro pop não se incomoda com as comparações com o colega de batina. "Padre Marcelo faz um trabalho bonito de comunicação. Eu o admiro muito pela coragem com que assumiu a grande mídia. É natural que todos os padre que optarem pela comunicação sejam comparados com ele. Lutamos pelas mesmas causas", diz o religioso de 37 anos, nascido na cidade de Formiga.

Além dos dotes musicais, padre Fábio também é professor universitário, graduado em Filosofia e Teologia, pós-graduado em Educação e (mestre) em Teologia Sistemática e tem cinco livros publicados. "Nunca pensei que minhas possibilidades como padre seriam tantas", diz ele, que se preparou para o ofício religioso durante 19 anos.

Ordenado padre em 2001 e atualmente ligado à Diocese da cidade paulista de Taubaté, o padre reconhece as tentações do sucesso. "Um líder religioso atua num limite muito tênue entre imagem pessoal e conteúdo que anuncia. O grande problema é a notoriedade que pode me fazer esquecer quem eu sou. É contra isso que preciso lutar", admite o religiosos que vem despertando a libido de muitas seguidoras por causa da bela estampa.

"Me incomoda quando sou reduzido à minha aparência. Fico triste quando as pessoas me julgam sem me conhecerem. Todo mundo que é público sofre desse mal. Eu sempre digo: eu sei quem eu sou. Os outros me imaginam", diz o sacerdote que incluiu sucessos 'mundanos' como 'Pai' (Fábio Jr.) e 'O Caderno' (Toquinho/Mutinho) no show. "A boa música popular brasileira é naturalmente religiosa, porque consegue unir poesia, valores e excelentes melodias", avalia.

Ainda não será desta vez que padre Fábio realizará um desejo comum a muitos cantores: gravar canções do Rei. "Roberto Carlos tem preciosidades que um dia eu gostaria de gravar. Nos shows eu arrisco cantar algumas. 'Luz Divina', 'Jesus Cristo', 'Jesus Salvador', mas ainda não gravei. Um dia eu crio coragem e peço autorização para ele", sonha.



Programa na TV em São Paulo
Venda de CD ajuda obra social

Em seu site oficial (http://www.fabiodemelo.com.br/) são vendidos CDs - a coletânea de três discos com os maiores sucessos custa R$ 44,90, os demais saem por R$ 18 em média -, livros e camisetas, estas em prol do 'Ato Solidário', campanha criada por ele, através da qual uma obra assistencial recebe incentivos obtidos com as vendas do seu site.

"Sobrevivo do meu trabalho. Afinal, não tenho paróquia. Sou um autor. Todos os padres que conheço e trabalham com música estão comprometidos com causas muito nobres", diz padre Fábio que também é apresentador de televisão, todas as quintas, às 22h30, no comando do programa 'Direção Espiritual', na TV Canção Nova, sediada na cidade de Cachoeira Paulista. "Tornar público o meu jeito de evangelizar é uma forma de me comprometer ainda mais com a seriedade que eu preciso ter", explica o sacerdote, que será dirigido por Túlio Feliciano nas duas noites de show no Canecão.



segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Matéria da Revista Domingo do Jornal do Brasil

"Deus prefere os piores. E eu também.
Afinal, ele é a matriz, eu sou mera filial"



Ele lota casas de shows, praças, ginásios, e faz uma média de 10 apresentações por mês, nos quatro cantos do Brasil. Na platéia, um público essencialmente feminino que não sabe se grita, chora ou fotografa cada lance. No palco, um homem de sorriso largo, voz suave e afinada, olhar doce, cabelos negros, roupas bem cortadas. Bonito. Um charme. Entoa um repertório que o público sabe de cor, frase a frase. Alterna composições próprias e regravações de nomes consagrados da MPB em sua vertente romântica, popular.

Só que ele não é um galã. É um homem de Deus. Padre Fábio de Melo é o novo fenômeno da música religiosa. Tem onze discos lançados, o último, Vida, distribuído pela major Som Livre, vendeu, sozinho, mais de 540 mil cópias em quatro meses - marca que, no Brasil, não é, nem de longe, atingida pelas bandas de pop rock ou pela maioria dos artistas populares. Nos shows, sua missão é arrebatar o coração da platéia, tocar fundo na alma. Com todo respeito, já que suas fãs, são, literalmente, fiéis. Só que o padre é um gato e, se alguma delas, mais saidinha, incorrer algum pecado, pode pelo menos, pedir o perdão ali mesmo.

Ordenado em 2001, tem 37 anos, mestrado em teologia, e não usa batina. Sabe que é um cara boa-pinta, acha a beleza importante - como cuidado com o corpo e a saúde - mas não incorre no pecado da vaidade. Acredita que os fiéis não confundem sua figura com a de uma celebridade mundana, um ator de novela, e não tem conflitos com sua aparência, nem quando adota o vizoo jeans e camiseta descolada: "O mais importante em mim é o que eu tenho a dizer. É o que anuncio", decreta.

Celebridade de Deus
O padre-cantor, mineiro da pequena cidade de Formiga, estabelecido em Taubaté (SP), escolheu o Canecão, no Rio, para gravar seu primeiro DVD, nas próximas terça e quarta-feiras, show para os quais restam poucos lugares.

A direção é de um bamba do showbiz, Túlio Feliciano, que assina espetáculos de artistas como Zeca Pagodinho e Beth Carvalho.

A carreira musical de Padre Fábio começou em 1997, com discos lançados pela acanhada Edições Paulinas. Passou para a gravadora LGK Music e em 2008, assinou contrato também com a Som Livre, rompendo a barreira do selo segmentado.

Sua voz e rosto passaram a ser vendidos em cadeia nacional, em comerciais nos dois principais canais de TV, Globo e Record, e até na MTV. Não que precisasse desta mídia toda para ser famoso. Ele é uma celebridade católica e está a passos de alcançar a popularidade de outro líder carismático, Padre Marcelo Rossi. Este porém, arrebanhou multidões tentando travestir a imagem do padre amigo e conselheiro numa figura jovem e bem-humorada. Mas ainda atrelada à tradição.

Fábio de Melo, diferentemente, parece querer trazer fiéis para a igreja mostrando que o padre é um homem comum. "Ainda não sei se a imagem do padre mudou. Estou no meio do turbilhão." Ele acredita que é preciso tempo para saber se o que propõe, de fato, faz efeito. "Eu espero que sim, mesmo porque a maior urgência que temos como igreja é buscar os novos métodos para que o Evangelho não pare."

Vocação para arte
Suas apresentações não são missas, são shows comuns e ele defende que seja assim. Compositor, poeta, professor universitário, autor de cinco livros, assume seu trabalho como artístico. "Arte é ofício que não dispenso. Religião é arte, afinal trabalha o tempo todo com a linguagem sensível. Os ritos litúrgicos são verdadeiros locais da beleza." O grande problema, acredita, é que nós os racionalizamos demais. O rito ficou explicativo, didático. No momento em que canta, ele diz que se expõe como proposta reflexão que tem o poder de mudar a atitude humana. "Há pessoas que saem dos shows com o desejo de serem melhores. Pronto. A religião cumpriu seu objetivo".

Como se vê, além da estampa, Padre Fábio fala muito bem. "Deus prefere os piores porque o projeto é de melhorias. A restauração ainda é prioridade diante da construção. Foi justamente por pensar assim que Jesus morreu. E eu também. Afinal, ele é a matriz. Eu sou mera filial."

Uma filial de sucesso. O caçula de uma costureira e de um pedreiro que adorava uma viola manifestou a vocação quando ainda era criança. Adolescente, entrou no seminário e, aos 27 anos, lançou o primeiro disco. Cursou duas faculades, Filosofia e Teologia, aos 30 foi ordenado na igrea de sua cidade natal, diante da comunidade que o viu crescer. Desde então, a carreira de padre e a de cantor caminham juntas. Ao todo, vendeu quase 800 mil cópias - e a entrada para o casting de uma grande gravadora deve, certamente, fazer esse número se multiplicar nos próximos anos. O segmento religioso parece não sofrer qualquer marola da crise que assola a indústria fonográfica. "As pessoas estão necessitadas de uma palavra que lhes faça bem. Eu, particularmente acredito na díade reflexão e fé. E creio, sobretudo, no poder que a arte tem de viabilizar esta reconciliação".

"Qual é a vaidade mais nociva?
A que está exposta na roupa, ou a que está impressa na alma?"


Flashes e fama
Fábio conquistou fãs e, provavelmente, converteu muitos deles, mesclando a música religiosa à música popular - em especial nomes como Fábio Jr. e Lulu Santos. A balada Apenas mais uma de amor (aquela do verso "O que eu ganho, o que eu perco, ninguém precisa saber") é um dos seus hits. Nos shows, geralmente no bis, é o momento em que pára e traça um paralelo entre o sofrimento do amor romântico e a dor do Cristo crucificado - o amor incondicional d equem não pede nada em troca e muitas vezes não é correspondido. A mulherada chora copiosamente. Faz fila na porta do camarim.
A agenda intensa quase fez o padre perder a voz no ano passado. Sua presença já está se tornando freqüente nos programas femininos da tarde. "Não é confortável ser famoso, mas não há outro jeito. O grande problema da fama é que ela fomenta projeções. Há pessoas que me imaginam melhor do que sou e há pessoas que me imaginam pior. Sou vítima em ambos os casos", admite ele, que corre do estereótipo da celebridade fortuita. "Já vi muitas pessoas famosas se perderem nestas projeções. Não quero isso pra mim. Não quero ser liquidado pela exposição. A melhor forma de ação é me sentir cada vez mais comprometido com as razões de minha fama. Sou padre e o que me expõe é a minha maneira de evangelizar".


Sem paróquia fixa, Fábio de Melo confessa a necessidade de sair periodicamente dos holofotes. Nos lugares em que a internet - ele mantém linha direta com fiéis por meio de seu site, alimenta um blog e seus vídeos tem milhares e milhares de acessos no Youtube - a TV ou o rádio não vendem sua imagem, ele volta à simplicidade do ministério. "A exposição midiática me aproxima muito dos fiéis, mas ela não me basta. Não sou padre de laboratório". Nem tampouco quer se reduzir ao cumprimento de uma agenda de eventos. "É muito bom celebrar ritos com pessoas que nem imaginam quem sou eu. Não há nada mais desgastante que máquinas fotográficas".

"Essa história de padre galã é coisa de mídia.
Estudei muito para ser quem sou"

Sagrado e profano
A gravação do DVD, por sua vez, só aumenta tal exposição, e certamente vai contribuir para ampliar sua popularidade no Rio de Janeiro, onde ainda não é tão conhecido como em São Paulo, Minas e Nordeste. "Nada pode ser comparado ao Norte e Nordeste do país. Os eventos cristãos naqueles cantos do Brasil são de uma grandiosidade que eu não ouso descrever. Tenho medo de empobrecer a verdade", exagera.


Antes mesmo de novo produto ficar pronto, Fábio de Melo põe no mercado três volumes de uma coletânea em que interpreta clássicos do cancioneiro popular, como Romaria e Fogão de lenha. "Escolhi recolher no mundo o que é naturalmente belo e bom. Há algumas canções de autores consagrados de nossa música popular brasileira que quando termino de cantar tenho vontade de liturgicamente anunciar: Palavra da Salvação!".


No último disco de estúdio traz duas famosas canções de Fábio Jr. A faixa-título, Vida, e o sucesso Pai. Não é pecado algum regravar músicas de um dos mais cobiçados cantores do país, embora isso arranque gritinhos da platéia. "Eu não carrego comigo a pretensão de que o Sagrado pertence aos denominados religiosos. Há compositores que não estão comprometidos com a evengelização formal, institucional, e que são muito mais competentes que nós para tratar dos valores que anunciamos", constata.

Beleza e vaidade
Por mais que queira evitar a admiração pelo homem no lugar do sacerdote, Padre Fábio conhece bem o mundo e o meio em que vive, absolutamente midiático. Reconhece, sem pestanejar, o apelo da boa aparência. "Creio que a questão da beleza está cada vez mais urgente nos nossos dias. Não me refiro ao contexto redutor da beleza estética, esta que movimenta uma infinidade de discursos rasos e desnecessários. O ser humano precisa ser cuidado, definitivamente. Nisso consiste o desdobramento da criação".


Para o padre, segmentos do cristianismo anularam o que é belo, associando o conceito ao pecado da vaidade. "Isso não é justo. Ser bonito não é sinônimo de vaidade desregrada. A feiúra no mundo não é garantia de santidade. Não mesmo".


E a vaidade, padre? Ele responde com outra pergunta: "Qual é a vaidade mais nociva? A que está exposta na roupa, ou a que está impressa na alma?"


O discurso do sacerdote deixa claro que ele exige respeito e não quer ser visto como um rostinho bonito. "Essa história de ser anunciado como padre galã é coisa de mídia que gosta de notícia rápida. Estudei muito para ser quem eu sou".




O padre é pop
Capazes de tudo para chegar ao palco, fãs assistem a shows até de joelhos


A última apresentação do Padre Fábio de Melo em 2008, realizada no dia 22/12, reuniu 2.700 pessoas no auditório do Centro de Convenções Ulisses Guimarães de Brasília - número muito expressivo para uma capital federal que já está deserta.


A casa estava com lotação esgotada, mas na primeira fila, dava para contar o número de homens nos dedos. De uma única mão: eram apenas cinco benditos-frutos. Tal qual nas missas, bastou o padre entrar no palco, para o público, formado principalmente por mulheres, ficar de pé. Gritavam o nome dele sem parar, disparando flashes freneticamente.


O repertório é formado de músicas católicas, interrompidas por sermões curtos e alguns hits da música popular. O padre conversa, faz piadas. Ninguém desgruda os olhos. Dezenas de mulheres ocupavam todo e qualquer espaço livre nos corredores. permaneceram agachadas ou sentadas no chão para ficar mais perto do ídolo. Ídolo?


Maria Fonseca foi uma delas. Segurava duas câmeras: com uma tirava fotos e com a outra gravava trechos do concerto. Casada, com 33 anos, acompanha a carreira de Fábio de Melo há seis meses. "Fiquei doida com ele, comprei todos os livros e CDs. Assisto a todos os vídeos no Youtube", conta. Ela confessa que vive um conflito grande e que se sente culpada. "Não tem jeito, ele é muito lindo, perfeito. Não tem como lembrar Jesus quando vejo ele".


Muita gente estica os braços para tocá-lo, entregar presentes: bilhetes, bichinhos de pelúcia, garrafas d'água. Esperando uma benção? Talvez. Berenice Ribeiro da Silva, uma senhora de 67 anos, conseguiu receber o cumprimento do padre, sentiu o corpo inteiro tremer. "Ele tocou a minha mão!", dizia, sem acreditar.


(Lia Kunzler)




Matéria do Jornal O Estado de São Paulo

Um DVD, 11 CDs, programa de TV, 5 livros. E é padre
Fábio de Melo, da Diocese de Taubaté, vendeu mais de 1 milhão de cópias de seus discos em dez anos

Roberta Pennafort, RIO
04/12/2009


Ele tem cinco livros publicados, programa semanal de TV, site (www.fabiodemelo.com.br), blog e comunidades do Orkut criadas por fãs. O padre Fábio de Melo, da Diocese de Taubaté, tornou-se conhecido por meio da música. Em dez anos, vendeu mais de 1 milhão de cópias de seus 11 CDs e 1 DVD.

"Eu me utilizo dos recursos que tenho", diz. "Sou padre nesse contexto globalizado, onde os veículos de comunicação são inúmeros." Só não gosta de ser chamado de padre galã. "Não gosto destas reduções." O fato de não usar batina nos shows, ao contrário de Marcelo Rossi, ajuda a provocar assédio. "Mas são raros. O que recebo é o carinho das pessoas que se identificam com meu jeito de evangelizar."

A empresária Heliomara Marques, que o acompanha há oito anos, jamais presenciou uma cena "mais escandalosa" envolvendo uma fã. "Lógico que existem meninas atraídas pela estética, mas ele percebe, já trata com aquela distância e coloca a pessoa no lugar dela." Batina, só usa em missas de casamento e batismo. Mas só consegue celebrar três por mês.

Sua imagem é diferente daquela cristalizada por Rossi. Melo sobe ao palco, dá palestras e aparece na TV geralmente de calça jeans e camisa social. No pescoço, uma correntinha de couro preto com uma cruz prateada.

Caçula de oito irmãos, muito ligado à mãe, é mineiro de Formiga e vem de família pobre. Tem 37 anos e foi ordenado em 2001. Formou-se em Teologia e Filosofia e se pós-graduou em Educação e Teologia Sistemática. Foi professor universitário e hoje trabalha com a Pastoral Universitária. Canta desde menino.

Chamado de "poeta de Deus", é compositor de Humano Demais e Filho do Céu, entre outras. Também grava canções de Fábio Jr. (Pai), e de Toquinho (O Caderno). É o principal nome da Talento Produções, especializada em artistas católicos. Segundo Heliomara, a renda da venda de produtos e shows é distribuída entre instituições das cidades pelas quais passa, a Fundação Ato Solidário, que apóia, e a diocese. Uma pequena parte vai para seu sustento.

Na internet, há relatos curiosos a seu respeito. Em seu site, uma seção exibe fotografias que os fãs tiram com o padre e depois enviam, junto com mensagens. Uma delas, Ana Cristina Neves, de São Paulo, que esteve com ele em novembro do ano passado, escreveu: "Com suas palavras, ele conseguiu me tirar de uma depressão, por isso sou dependente, viciada em suas palavras. Tenho todos os CDs, livros e não perco um programa, pois ele realmente é minha 'direção espiritual'."

Na comunidade do Orkut "Sou fã do Padre Fábio de Melo", uma moça gaúcha diz: "Ele foi um achado muito importante na minha vida, uma coisa inexplicável. Ele é tudo de bom".

Melo diz que nunca enfrentou resistências em sua diocese por causa do trabalho como cantor. "A Igreja não se opõe a ninguém que esteja evangelizando. Por isso, busquei estudar e qualificar o meu discurso."


Matéria publicada em 04/01/2009

DVD "Eu e o Tempo"



O DVD já tem nome... "EU E O TEMPO".... será gravado nesta 3ª e 4ª no palco do Canecão, no Rio de Janeiro.
A data está sendo ansiosamente aguardada por todos os que já garantiram seus lugares. Quem deixou para depois vai ficar de fora. Apesar da grande procura, os ingressos já estão esgotados há dias.

Conforme nota publicada na coluna de Anna Ramalho, no JB Online, o show contará com toda a tecnologia possível para tornar este momento absolutamente inesquecível.

Serão 20 canções divididas em 5 quadros, que juntos, representarão um ciclo litúrgico que terá seu início e fim em Pentecostes.

Cenografia e iluminação se harmonizarão para trazer ainda mais beleza ao espetáculo de emoção e fé, que certamente será um dos grandes momentos da carreira do Padre Fábio de Melo.

Anjo de Luz...

Em um dos quadros, uma contra-luz deixará apenas o sacerdote iluminado, simbolizando assim a luz que há em cada um de nós.

A dele, nós já aprendemos a sentir...

Encontros...

A partir das 19h30 estaremos ao lado esquerdo do palco, num grande encontro entre todos os que se conheceram intermediados por histórias que têm algo em comum... o semeador... Participe!!!

Chegando lá...

> O salão abrirá a partir das 19h.

> Os ingressos de "meia-entrada" são pessoais e intransferíveis. Documentos serão exigidos na entrada.

> É proibido entrar com qualquer tipo de alimento ou bebida.

> Dentro da casa funciona um serviço tercerizado de restaurante de excelente qualidade. O consumo pode ser pago também com cartões de crédito e débito.

> Para quem vai de carro, a melhor opção é o estacionamento do Shopping Rio Sul, que fica aberto até 1h15 da manhã para a retirada dos veículos.


Canecão
Mapa do Salão

(clique na imagem para ampliar)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

JB Online publica matéria sobre a gravação do DVD

Sucesso de vendas, padre Fábio de Melo grava o primeiro DVD
Coluna Anna Ramalho, JB Online

RIO DE JANEIRO


Padre Fábio de Melo, uma das revelações de2008, vai usar e abusar da tecnologia durante a gravação, nos dias 6 e 7 de janeiro, de seu primeiro DVD. As vinte canções do repertório serão dividas em 5 quadros: Pentecostes, Advento, Epifania, Quaresma, Páscoa e, para encerrar o ciclo litúrgico, novamente Pentecostes. A iluminação será um dos pontos fortes da cenografia, que vai usar luz vermelha no primeiro quadro, marcando a descida do Espírito Santo à Terra. No quarto quadro, que representa a Quaresma, uma contra-luz vai deixar apenas o padre iluminado, representando a luz que há em cada um de nós. Todo o cenário será em preto e branco metalizados. Quer saber? Padre Fábio é pop!!! Benza Deus!!!!


17:10 - 29/12/2008



Fonte: JB Online

domingo, 28 de dezembro de 2008

Slide - Quarta Viva Especial de Natal 2008


Coluna "Que TAL viver?" Silêncios e Palavras


Na palavra, a comunicação se realiza. No silêncio, ela se completa. Pois a compreensão se concretiza a partir do silêncio. Há poder em ambos, e a sabedoria é usar bem esses dois tempos da comunicação.

Dentro de uma composição as pausas são tão importantes quanto os sons. Uma boa orquestra é aquela que executa bem as dinâmicas das pausas e das continuidades. Mesmo no silêncio da pausa a canção continua.

Não diga as coisas com pressa. Mais vale um silêncio certo, que uma palavra errada. O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade recomendava aos poetas:

“Convive com os teus poemas antes de escrevê-los.

Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.

Espera que cada um se realize e consuma
com seu poder de palavra e seu poder de silêncio.”

A recomendação do poeta é sábia e pertinente. Um poema só é bem, só é bom, se maturado na sementeira do silêncio. Antes de se tornar palavra, a poesia é experiência de vida silenciosa. Os artistas sabem disso, e nós precisamos aprender.

Demora naquilo que você precisa dizer. Livre-se da pressa de querer dar ordens ao mundo. É mais fácil a gente se arrepender de uma palavra dita, que de um silêncio. Palavra errada na hora errada pode se transformar em ferida naquele que ouviu, também naquele que disse.

Há muitos momentos da vida em que o silêncio é a resposta mais sábia que nós podemos dar a alguém. Na pressa de falar, corremos o risco de dizer o que não queremos, e diante de tudo que foi dito, nem sempre temos a possibilidade de consertar o erro.

Palavras erradas costumam machucar para o resto da vida, já o silêncio certo, esses possuem o dom de consertar. Por isso, prepara bem a palavra que será dita. Palavras apressadas não combinam com sabedoria.

Os sábios sempre preferem o silêncio. E nos seus poucos dizeres está condensada uma fonte inesgotável de sabedoria. Não caia na tentação do discurso banal, da explicação simplória. Queira a profundidade da fala que nos pede calma. Calma para dizer. Calma para ouvir.
Uma regra interessante, para que tenhamos uma boa compreensão de um texto, é justamente a calma. Só assim podemos adentrar nos significados que o autor quis sugerir e, conseqüentemente, mergulhar no mistério do seu texto.

Leituras apressadas podem fomentar equívocos, e equívoco é uma espécie de desentendimento entre o que se escreve e aquele que lê. É uma forma de obstáculo para a compreensão da linguagem.

Na comunicação verbal cotidiana, isso sempre acontece. Dizemos, e não somos compreendidos. Diante do impasse, duas realidades são possíveis: ou alguém disse com pressa, ou alguém escutou sem atenção. Dizer e ouvir requerem silêncio.

Só diz bem, aquele que pensou antes no que iria dizer, e ouve melhor aquele que se calou para escutar. A regra é simples, mas exigente.
Por isso, hoje, nesse tempo de palavras muitas, queiramos a beleza dos silêncios poucos.


Padre Fábio de Melo
Coluna "Que Tal Viver?"
TAL Revista nº 4, nov/dez 2008



quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Vídeo - Padre Fábio no Mais Você Especial de Natal




Slide - Papo X 20/12/2008


Fonte: Site Fábio de Melo, Orkut

Padre Fábio no Papo Vanguarda 21/12/2008

(parte I)

(parte II)

(parte III)

(parte IV)

(parte V)

(parte VI)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Padre Fábio no programa MAIS VOCÊ




Neste dia de Natal, quem recebe o presente é você. Ana Maria Braga recebe o Padre Fábio de Melo na manhã desta quinta-feira, a partir das 8h15, no programa Mais Você.

É uma bela oportunidade de começar este dia, já repleto de alegria pela comemoração da chegada do filho de Deus feito homem, com a participação sempre tão enriquecedora de um Jesus contemporâneo a nós, tão humano, tão verdadeiro, tão entregue a tudo o que Deus lhe coloca.

Prepare o coração e... Não perca!!!




Só Para Saber...

O Mais Você ganhou o prêmio de melhor programa de variedades em 2008, oferecido pela Associação de Imprensa da Barra da Tijuca/RJ.

O Mais Você também ganhou o prêmio Qualidade Brasil 2008 - como melhor programa e melhor programa de temática feminina.



Quarta Viva com Padre Fábio de Melo


Hoje, a partir das 22h, não deixe de conferir a participação do Padre Fábio de Melo no especial de Natal do programa Quarta Viva, na TV Canção Nova.

Gabriel Chalita entrevista o sacerdote, seu amigo de longa data, que fala sobre sua vida, carreira, sucesso e muito mais, num bate-papo descontraído e repleto de momentos de poesia e emoção.

Ainda recuperando-se de um edema nas cordas vocais, Padre Fábio esbanjou simpatia e ainda interpretou em playback algumas das canções de seu mais recente trabalho, o CD Vida

Confira alguns momentos...



(Fotos: Carla Balthazar)

Natal e Mudas de Alface


A manhã chuvosa parecia costurada nos embaraços de uma noite mal dormida. O vulto de mulher prateado pelos raios de um sol recém nascido recolhia do tempo as agruras de saber-se temporário , imperfeito, afeito aos desajustes de um amor que adormeceu , mas que não desaprendera de amanhecer.

Era um corpo de dor, de menstruadas esperanças, de saudades e partos. Corpo de mãe , corpo de cumprir oficio de curar joelhos esfolados, de dar banhos que tinham o poder de lavar corpos e almas num mesmo acontecimento. Corpo de amamentar filhos que crescem.

Aquela mulher e aquelas manhãs de dezembro. As recordações de seu tempo de menina, pobreza reconhecida, trazida na cara e denunciada pela moldura de olhos que não sabiam mentir.

O plantio programado, compromisso que nem mesmo a dor acontecida nas recentes horas poderia adiar, tinha ares de ritual religioso. A sementeira ao lado, moldada numa caixa de papelão resistente, sobre o canteiro que nasceu de suas mãos pequenas, esperava pela oportunidade de cumprir no tempo o destino de dar continuidade à obra da criação.

Morrer e viver são atos que se conjugam sem pressa. A mulher sabia de tudo isso. As mudas miúdas também. Dotadas de sabedoria vegetal, cresciam ao seu tempo com a mesma simplicidade que é própria de quem não procura outro destino senão o seu.

Aquela mulher sabia mais. As mudas não mudam. São sempre as mesmas desde o tempo de sua mãe. Oficio aprendido que se estende no tempo, feito consumação de uma despedida que se cumpre aos poucos, bem aos poucos.

Mudas de alface estão carregadas de sentido. Nelas, prepara-se o futuro que afugenta a fome, traz vibrações ao modo de carecer. Recordo-me com saudade. O tempo era de chuvas. Jabuticabeiras explodiam. Pequenos frutos pendurados em seu corpo de árvore-mãe, tal qual a minha mãe e seus meninos pendurados na cintura, entrelaçados nas pernas e puxando seus braços.

Dezembro tinha cores e histórias diferentes. Vitrines iluminadas, cartões de ocasião sendo preparados pela minha irmã, para que mesmo com simplicidade pudéssemos desejar votos de felicidades.

Presépio sendo retirado da caixa, árvores coloridas de bolas vermelhas, anunciando que nossa pobreza seria ainda mais exposta. Mas não havia problema. Nossa árvore, mesmo tão pobre, já era nossa alegria. As jabuticabeiras nos curavam de tudo...

Minha mãe e sua capacidade de replantar o mundo a partir de mudas de alface era o símbolo mais vivo de nosso Natal. Com seu jeito simples e hábitos rotineiros, ela condensava todas as virtudes que o acontecimento nos sugeria. “O menino Jesus é quem merece presente neste dia!”, ensinava-nos como se quisesse modificar a ordem do mundo. E assim acreditávamos.

Nossos presentes eram poucos. Quase nenhum. Só mesmo para não passar em branco, mas o mais importante nós não deixávamos de receber. O sorriso farto, a oração em família, a missa do galo e o nosso Natal já estava completo.

Aquela mulher nos fazia esquecer o que não tínhamos. Transplantava-nos, como fazia com as mudas de alface. Deixávamos o chão estreito da sementeira e caiamos com nossas raízes nos canteiros fartos da simplicidade que ela sabia construir.

E assim era o nosso Natal. Um acontecimento para nunca mais esquecer.A você, que ao longo deste ano buscou ser mais feliz a partir de minhas palavras, aproveito para desejar um Natal cheio de alegrias, simplicidade e acontecimentos que mereçam ser lembrados.



Pe Fábio de Melo
(Revista "Ir ao Povo", 12/2007)

domingo, 21 de dezembro de 2008

Papo Vanguarda com Padre Fábio de Melo

Não perca o Papo Vanguarda Especial de Natal
com padre Fábio de Melo


A TV Vanguarda preparou um presente de Natal para os moradores do Vale do Paraíba e Região Bragantina.

O Papo Vanguarda apresenta um especial de Natal cheio de religiosidade e palavras de carinho. O convidado é o Padre Fábio de Melo.

Um bate papo imperdível, que vai fazer bem para o coração e para a alma. É neste domingo (21), às 23h35, logo depois do programa "Faça sua História".


Saiba Mais...

Programação TV Vanguarda
Canais e Cobertura


Show de emoção em Muriaé

Com um misto de alegria, emoção e pregação através de pequenas histórias e muitas canções o Padre Fábio de Melo realizou sua apresentação na Faminas na noite de sábado (20).

Mais de 1.500 pessoas prestigiaram a apresentação que já era esperada desde o sábado (13), mas havia sido adiada porque o Padre estava com problemas na voz.

Mesmo não estando 100%, Fábio de Melo encantou a todos, que aplaudiram, cantaram, choraram e saíram satisfeitos do recinto.

Em dois momentos de muita emoção, o Padre chorou com o público: primeiro quando contou de um dia ter encontrado seu pai, alcoolizado e caído na rua, e ali viu que o amor verdadeiro é quando você consegue amar a pessoa quando ela está na lama, ao contrário de se envergonhar. E o segundo momento foi quando subiu ao palco uma menina, portadora de câncer e moradora de Espera Feliz para realizar o sonho de estar com Fábio de Melo.

O padre cantou músicas reliosas, Fábio Junior e Lulu Santos, entre outras canções. Após quase duas horas de show, Fábio de Melo deixou o palco, sob aplausos do público presente.

sábado, 20 de dezembro de 2008

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

www.revistaprofashional.com.br

Poeta da alma...
por Marisa Abel

Músico, escritor, contador de histórias envolventes, Fábio de Melo une as palavras em mensagens que tocam o coração, o padre é um verdadeiro poeta da alma. “Amar talvez seja isso, descobrir o que o outro fala mesmo quando ele não diz”, pe. Fábio de Melo

Você, querido leitor profashional, deve estar se perguntando neste momento o que um padre faz na capa de uma revista de moda, e nós respondemos: Fábio de Melo é um tradutor de sentimentos do mundo. Tem o poder transformador das palavras e mensagens que falam de vida, da beleza de amar e comungar com o universo a maravilha de ser você mesmo e de viver – isso é profashional. A nossa abordagem aqui não é sobre uma religião específica (respeitamos todas as crenças) e sim sobre o valor de cada mensagem.

Antenado às tecnologias e nas formas de comunicação do século XXI, pe. Fábio tem site, posta suas reflexões em seu blog, faz shows por todo o Brasil e celebra a vida com plenitude, mas, sobretudo isso, ele faz da música e das palavras o seu instrumento disseminador de idéias, não exclusivamente para os católicos, mas para todos aqueles que apreciam a frase dita de forma direta e que faz seu cérebro (e coração) parar para refletir.

Cada frase é uma união de palavras que nos faz ver na simplicidade a beleza do eterno e descobrir o que é essencial e nossa própria essência. “Eu vejo estradas construídas na minh’alma, por onde passa o mundo inteiro bem ali” (música: “Enredos do meu povo simples”). Mais sobre essa energia do padre você também pode ler na seção script.
“Eu sou um contador de histórias... gosto de me aventurar no universo das palavras, gosto de vê-las clamando por minhas mãos, desejosas de saírem da condição do silêncio. Escrever é uma forma de desvendar o mundo”, essa é uma das descrições que o trovador Fábio tem de si, nós concordamos.


Confira a entrevista exclusiva que pe. Fábio de Melo cedeu para a Profashional:

Profashional: As palavras bem colocadas acompanham os seus pensamentos e nos fazem pensar nos momentos de nossa vida e na importância de cada coisa. Tanta inspiração vem de experiências vividas ou acompanhadas?
Fábio de Melo: O cotidiano é minha fonte. A vida humana é minha matéria. Ou porque vivi, ou porque vi de perto.

P.: Você já declarou que com a música é preciso fazer com que a imagem aconteça dentro de você. Quando está cantando, você sente toda essa vibração. O que acontece no seu íntimo?
F.M.: Nem sei. É tudo tão intenso que nem dá para dizer. O que sei é que há um envolvimento pleno. Música é também imagem. Há cenas nas frases.

P.: A música é pano de fundo da sua vida. Existe alguma em especial que toca mais seu coração?
F.M.: A música popular brasileira me toca muito. Há trechos que se tornaram imortais para a nossa cultura.

P.: Você fez da música um instrumento de trabalho. Hoje, como você enxerga todo esse processo?
F.M.: Eu não me separo da música. O meu ministério sacerdotal se desdobra na arte. Antes de tudo, eu sou padre. O ofício que exerço é um desdobramento do que sou.

P.: Nas suas palavras “religião é religar duas pontas que precisam se encontrar”. Em todos os seus momentos, o que de maior destaque foi religado ao seguir o caminho da religião?
F.M.: O discurso religioso pode nos ajudar a reintegrar o que perdemos ao longo da vida. A palavra de Jesus é de devolução. Ele me devolve a mim mesmo. Sempre que encontro alguém e escuto: “Você me ajudou a ser eu mesma!”, eu penso – “Valeu ter vivido!”

P.: A decisão em optar pela batina ocorreu em que momento da sua vida?
F.M.: Desde criança. Cresci numa família muito religiosa. A figura do padre sempre disse muito ao meu contexto cultural. Eu via no padre uma pessoa feliz, realizada, fazendo o bem às pessoas. Quis ser também.

P.: Quais são as ações que você julga ser as que mais fazem as pessoas refletirem sobre suas vidas?
F.M.: Geralmente, é o momento da dor.

P.: Você é um padre moderno. Tem site, canta, faz show e ainda possui um blog no qual posta seus pensamentos. Como é sua relação com os artefatos da modernidade?
F.M.: Eu me utilizo de tudo o que posso. Os meios estão aí e as pessoas estão necessitadas. Não posso negligenciar a oportunidade de melhorar o mundo. Eu creio no poder da palavra. Palavras mal ditas possuem o poder de nos destruir. Palavras bem ditas exercem poder contrário. Eu prefiro o segundo poder.

P.: Com a agenda lotada de compromissos, sobra tempo para conhecer as cidades por onde você passa?
F.M.: Não. Sempre que viajo a trabalho, eu já saio de casa sabendo que não conhecerei muita coisa. Não crio expectativas.

P. : Defina o poder das palavras.
F.M.: A palavra é uma pá que lavra o chão da nossa alma.

P.: Quando não está usando a batina, costuma praticar quais atividades?
F.M.: Eu não uso batina. Só uso os paramentos litúrgicos para as celebrações. Eu me visto normalmente.

P.: Na sua visão, como está o contato entre as pessoas e a religião nos dias de hoje?
F.M.: O discurso religioso, quando mal aplicado, é um instrumento de guerra. Tenho medo das religiões que alienam. Elas retiram as pessoas do comprometimento histórico e as projetam para esperanças futuras. Religião não pode ser feita somente de esperanças futuras. O hoje é o lugar da ação de Deus. A realização humana consiste em descobrir o equilíbrio entre as pontes do tempo. O céu começa agora. O inferno também. As escolhas que fazemos na vida são determinantes para o estabelecimento de um ou outro.

P.: Se não fosse padre, o que gostaria de fazer? Seguiria alguma profissão?
F.M.: Eu queria ser veterinário.

P.: Qual seu pensamento sobre a moda?
F.M.: Muito mais importante que estar na moda é estar bem cuidado.

P.: Seu estilo de se vestir é...
F.M.: Não sei. Vocês que são especialistas é que precisam me ensinar... Risos.

Curtas e Rápidas...

Uma música: "Beatriz" (Edu Lobo e Chico Buarque).
Melhor momento: Sempre que posso, eu o faço acontecer.
Parábola para ser sempre usada como exemplo: A do semeador.
Vida: Prioridade.
Morte: Inevitável.
Sabor de... Chocolate com menta.
No dia-a-dia não pode faltar: Um poema de Adélia Prado.
O livro que mais gostou de escrever foi... "Mulheres de aço e de flores".
Jesus... Minha matriz. Eu sou a filial.
Fábio de Melo por Fábio de Melo: Um homem feliz, realizado.
Ser Profashional é... É ser integrado, não deixando que nada de nós fique de fora.

"Você pode até dizer que não entendeu o que te disse,
mas jamais poderá dizer que não entendeu como te olhei"
(Fábio de Melo)




















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